Posso usar o celular?

Documentação fotográfica utilizando smartphones

Minha resposta a sua pergunta é: Pode, mas não deve!

Com a evolução da fotografia digital, os celulares começaram a incorporar uma câmera fotográfica. Este avanço nas tecnologias fez surgir uma nova categoria de câmeras fotográficas, conhecidas como “camerafones”, pelo fato de muitos dispositivos móveis estarem quase equiparados a uma câmera de verdade.

Foram os smartphones que tornaram a fotografia digital uma realidade popular e revolucionaram a maneira como tiramos fotos e registramos nossas vidas.

Existem vantagens e desvantagens na utilização dos smartphone nas perícias forenses, então vamos entender cada uma delas e depois você decide se vai usar ou não o seu smartphone.

Vantagens:

  • 1) Portabilidade: os smartphones são pequenos, são leves, cabem nos bolsos e em bolsas, estão sempre junto do usuário e sempre na mão quando se quer fazer um registro fotográfico;
  • 2) Facilidade de uso: não é preciso ser um fotógrafo profissional para utilizar a câmera do smartphone e não é preciso ter uma variedade de lentes específicas para cada tipo de fotografia;
  • 3) Custo x benefício: por um preço justo consegue-se comprar um telefone celular, que, na verdade, é um computador portátil multifuncional e, ainda ganha de brinde uma câmera fotográfica de boa qualidade. As câmeras fotográficas podem custar menos que um smartphone, mas podem custar milhares de reais quando profissionais;
  • 4) Uso mais amplo: além de aplicativos que editam as imagens, tem-se a facilidade de fotografar e compartilhar essas fotos nas redes sociais segundos após capturadas e até mesmo vídeos em tempo real. Nas câmeras fotográficas profissionais, existe um sistema Wi-Fi que permite enviar as imagens para o computador ou celular, mas na maioria das câmeras é necessário baixar as imagens para o computador e só depois as compartilhar. Pode também fazer a marcação do local onde a fotografia foi feita utilizando o GPS do dispositivo, que ajuda, por exemplo em uma viagem de turismo, saber onde aquela foto foi capturada.

Desvantagens:

  • 1) Baixa qualidade: o tamanho dos sensores dos smartphones são muito pequenos quando comparados com os sensores das máquinas fotográficas. Isso faz com que as fotografias dos smartphones sejam de baixa qualidade, não reproduzam as cores da imagem com fidelidade e acaba provocando ruídos (efeito granulado) nas fotos com pouca iluminação. A baixa qualidade destas fotografias fica ainda mais evidente quando são impressas, apesar de parecerem fantásticas nos écrans (tela do celular, do computador ou da televisão);
  • 2) Recursos de Iluminação: a grande maioria não os possui, fazendo com que fotos com pouca iluminação fiquem tremidas ou com ruídos. Apesar de, em alguns smartphones, existir o flash, este é pouco potente e não resolve o problema da baixa iluminação;
  • 3) Distorção de perspectiva: as lentes dos smartphones são grandes angulares para oferecer um campo de visão mais amplo do que o que você perceberia com os seus olhos. Neste tipo de lente, se dois objetos tiverem o mesmo tamanho, o que estiver mais distante parecerá muito menor. Este efeito é conhecido como distorção de perspectiva. Essa distorção provoca a deformação das evidências fotografadas, tornando-as maior do que realmente são, principalmente quando fotografadas em close-up;
  • 4) Segurança: as fotografias forenses necessitam de segurança máxima, com cadeia de custódia inclusive. Um dos principais problemas ao perder um celular é deixar que outra pessoa, ou mesmo um ladrão, no caso de o usuário ter sido roubado, tenha acesso a todas as suas informações que podem ser acessadas pelo smartphone. Este fato pode inviabilizar, completamente, sua perícia.

Os smartphones nunca substituirão as câmeras, mas se tornarão, cada vez mais, ferramentas poderosas, para usar como uma opção compacta que complementa a qualidade e o controle oferecidos pela sua câmera DSLR[1] ou mirrorless[2].

Referência Bibliográfica

Valente-Aguiar MS. Manual Prático de Fotografia Forense – com casos comentados. São Paulo: Fontenele Publicações, 2020.  ISBN: 978-65-86227-91-8

[1] DSLR é a abreviação para “Digital Single Lens Reflex”. De forma mais simples, uma DSLR é uma câmera digital que usa um espelho mecânico que reflete a luz que vem da lente para o visor. A maioria utiliza lentes intercambiáveis.

[2] As câmeras mirroless (do inglês, sem espelho) são câmeras compactas que apresentam lentes intercambiáveis.

Murilo Valente-Aguiar

Médico Perito Oficial Legista da Polícia Civil do Estado de Rondônia. Exerce sua atividade no Instituto Médico Legal Dr. José Adelino da Silva em Porto Velho - RO

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